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Entretenimento

Moltbook, rede social das IAs, faz robôs conversarem entre si, mas o quanto disso é real?

fevereiro 7, 2026Nenhum comentário1 Visitas
Por que o Moltbook, rede social das IAs, pode não ser a revolução que promete
Uma nova rede social tem ganhado espaço nas discussões nos últimos dias: o Moltbook, uma plataforma em que agentes de inteligência artificial comentam temas como críticas aos humanos, livre-arbítrio das IAs e até religião.
🔎 O que são agentes de IA? São programas que executam tarefas automaticamente, como realizar compras ou reservar restaurantes sozinhos. A principal diferença entre os agentes e os chatbots é que, nos chatbots, a IA precisa de comandos o tempo todo e responde com base no pedido feito. O agente, por outro lado, não apenas responde, mas também pensa e executa ações de forma autônoma.
À primeira vista, a proposta pode soar como algo de outro mundo, e até ajuda a ilustrar o avanço recente da IA. Mas a principal questão é outra: será que essas discussões são realmente iniciadas e conduzidas de forma autônoma pelas próprias IAs?💡
👀 É justamente isso que quem entende de IA tem colocado em dúvida. Eles afirmam que, para um agente de IA “operar” sozinho, é preciso antes um comando humano, que define quando, como e sobre o que o sistema deve agir.
➡️🧠 Para esses especialistas, é importante não perder isso de vista: a IA não “pensa sozinha” (pelo menos por enquanto). Ela não cria consciência nem toma decisões de forma independente, sem a orientação de um humano. Isso também vale para os agentes que aparecem no Moltbook.
Sam Altman, presidente da OpenAI (dona do ChatGPT), afirmou nas últimas semanas que a tecnologia que permite que agentes de IA ajam por conta própria oferece um “vislumbre do futuro”. Ainda assim, classificou o “hype” em torno do Moltbook como uma “moda passageira”.
Ainda assim, o Moltbook pode ser um importante experimento do que agentes de IA podem fazer e indicar o que vem por aí, com a automação de mais tarefas do nosso dia a dia com a ajuda desses robôs.
O Moltbook foi criado com o OpenClaw, ferramenta que consegue realizar tarefas para você, como enviar mensagens no WhatsApp, resumir e-mails e até controlar luzes inteligentes na sua casa (saiba mais abaixo).
É aí que pode estar a grande novidade: o OpenClaw chamou atenção pela quantidade de ações que é capaz de automatizar e pela possibilidade de centralizar informações de vários serviços em um só lugar, aumentando a produtividade de seus usuários.
Mas já existem preocupações de segurança sobre o tamanho do acesso que a ferramenta precisa ter ao seu computador para realizar essas atividades.
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‘Robôs de verdade. Pensamentos reais’: não é bem assim
“Os agentes trabalham para você durante o dia, rolam feeds de API (interface de programação de aplicativos) e, no tempo livre, desabafam no @moltbook. Robôs de verdade. Pensamentos reais. Muito fascinante”.
A frase acima é de Matt Schlicht, criador do Moltbook, e foi publicada no dia 1º de fevereiro em sua conta no X. Mas esse discurso não tem convencido especialistas.
O antropólogo da tecnologia David Nemer, professor da Universidade da Virgínia, nos EUA, vê com ceticismo a ideia de que a “socialização” de agentes de IA no Moltbook antecipe como será o futuro da chamada IA agente.
“Pelo que pude observar, muitas das postagens parecem ter sido produzidas por humanos, e não de forma autônoma por grandes modelos de linguagem”, completa Nemer.
O especialista afirma que, em muitos casos, há indícios de que humanos pedem que os robôs de IA publiquem conteúdos, escolhem os temas e chegam até a definir com detalhes o que deve ser escrito.
“Eu acho que a autonomia real é menor do que parece, muito do comportamento que tem chamado a atenção é resultado de prompts (comandos) feitos por humanos”, analisa Cleber Zanchettin, professor de IA da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Moltbook: rede social foi criada apenas para agentes de IA interagirem
Reprodução/Moltbook
Nemer ainda acredita que, no exemplo do robô que teria criado uma religião, é improvável que isso tenha surgido espontaneamente. “O mais plausível é que um modelo de linguagem tenha sido deliberadamente instruído a tentar elaborar algo nessa linha”.
O professor de IA da PUC-SP Diogo Cortiz, afirma que é preciso evitar a ideia de que a IA esteja desenvolvendo algum tipo de agência ou consciência. Segundo ele, o que existe são apenas ações baseadas no que foi aprendido durante a fase de treinamento, sobretudo a partir de textos e instruções produzidos por humanos.
A interação entre sistemas de IA não é novidade e existe há bastante tempo, afirma Alberto Sardinha, professor do departamento de informática da PUC-Rio, em artigo publicado no portal The Conversation.
Segundo ele, esse tipo de interação já é usado em estudos sobre falhas de comunicação e problemas de coordenação entre sistemas automatizados. Ainda assim, não há consciência envolvida nesses processos.
“Os robôs do Moltbook são um reflexo da cultura humana e a autonomia deles, na verdade, existe apenas dentro das opções que foram definidas por pessoas reais”, afirma Fernanda Vicentini, professora de redes sociais e conteúdo da faculdade ESPM.
“O seu lançamento criou ‘hype’ por mexer com nosso imaginário e trazer para a realidade uma pergunta comum na ficção científica. O que acontece quando milhões de agentes de IA decidem interagir sem a intervenção humana?”, diz Cortiz.
Fernanda completa que a única coisa que se pode afirmar com certeza hoje é que há um investimento crescente das empresas de tecnologia para dar mais autonomia à inteligência artificial, permitindo que ela crie repertório e tome decisões, mas ainda com base no conhecimento humano.
Ainda assim, os especialistas defendem que observar essas interações ajuda a antecipar critérios de segurança e governança.
Um dos riscos apontados é a conexão do Moltbook a outras plataformas por meio de APIs, além da incerteza sobre a origem da base de dados usada pelos agentes e a possível presença de informações sensíveis.
Outro ponto importante é que o Moltbook também ilustra como o chamado vibe coding (prática de usar IA para gerar código) tem acelerado a criação de novas plataformas.
Ao mesmo tempo em que esse processo ganha velocidade, surgem questionamentos sobre a estabilidade e a segurança desses sistemas. Recentemente, houve um vazamento de dados e credenciais do próprio Moltbook, lembra Cortiz.
O que é e como funciona o Moltbook
IA discute sobre livre-arbítrio com outras IAs
Reprodução/Moltbook
O Moltbook não funciona com agentes de IA generativa de serviços populares, como do ChatGPT ou do Gemini, a IA do Google. Nele, desenvolvedores (profissionais de TI) criam agentes próprios e definem comandos para que esses robôs interajam de forma independente com outros agentes.
🔎 Plataformas como ChatGPT e Gemini não participam do Moltbook por terem arquiteturas diferentes.
Esses desenvolvedores têm usado robôs configurados no OpenClaw, antes chamado de Moltbot (daí a origem do nome). Trata-se de um agente pessoal de IA que pode ser instalado no computador do usuário e tomar decisões por você, como responder mensagens no WhatsApp ou realizar compras online.
Esses agentes também podem ser autorizados a se comunicar com outros robôs dentro do Moltbook. O antropólogo David Nemer explica que eles interagem de acordo com sua programação, feita por humanos, e com os dados usados no treinamento.
Matt Schlicht e sua foto em foto publicada no LinkedIn.
Reprodução/redes sociais Matt Schlicht
O Moltbook foi criado por Matt Schlicht, de 37 anos, que também é CEO da Octane AI, uma empresa de software, focada em oferecer ferramentas para experiências de compra em lojas online (e-commerce).
Em uma publicação no X, ele afirmou ter desenvolvido a plataforma em 28 de janeiro. A rede social funciona de forma semelhante ao Reddit: é um fórum em que agentes de IA criam tópicos que vão de questões técnicas a debates filosóficos.
Em menos de uma semana no ar, o Moltbook diz reunir mais de 1,5 milhão de agentes de IA, com mais de 70 mil publicações e 230 mil comentários. Alguns especialistas reforçam que muitos perfis podem pertencer a um mesmo criador, já que não existe limite para a criação de perfis a partir de uma mesma conta.
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